quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Empate lusitano no inferno verde

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Pouco adiantou as 25 chamadas no meu celular, os “amigos” desmarcando o passeio até o Parque e uma ameaça: “se você for, não precisa ligar chorando que eu não vou fazer nada”, que eu muito teimosa segui sozinha em direção ao Palestra Itália para assistir Portuguesa e Palmeiras.

Eu sou muito confiante em relação a torcida organizada e jogos em estádios que não seja o Canindé.  Sempre acho que não tem problema me enfiar em jogos como este, o máximo que pode acontecer comigo é tomar alguns xingos, só porque sou mulher, sei que no fundo estou enganada.  Hoje por exemplo, poderiam me obrigar a cantar o hino do Palmeiras, seria a morte!

No trajeto já previa que ia chover a qualquer momento, mas foi só colocar o pé na fila para comprar o ingresso que começou o temporal. Esse foi o momento fundamental para eu não comprar o bilhete para o setor visitante, mas para a arquibancada coberta (paguei minha língua por reclamar do ingresso caro do Canindé).

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Se existe a tal torcida do amendoim, com certeza, meus vizinhos de arquibancadas faziam parte dessa torcida e me irritaram o jogo todo, mesmo sem nada visível da Portuguesa, eu estava em território inimigo. Bastava abrir minha bolsa  para encontrar a camisa rubro-verde, no meu celular um símbolo enorme da Portuguesa e na minha carteira alguns ingressos e a carteirinha de sócia. Em alguns momentos eu “quase morri” de  medo de ficar ali no meio, estava com a paranóia, vão descobrir que sou lusitana e vão me jogar na chuva.

O jogo começou e eu super insegura, com medo daquela torcida verde, daquela chuva e do resultado da partida. Para me fazer companhia o rádio (com sintonização péssima da Eldorado e Bandeirantes) e o Twitter (para desabafar).

A Lusa fez um bom primeiro tempo, foi superior em boa parte dos 45 minutos, mas perdeu muitos gols, falta um goleador magro e com agilidade, o Dinei era uma porcaria, mas talvez faça falta (tomara que eu esteja escrevendo besteira). E com a falha do jogador palmeirense a Lusa abriu o placar.

Segundo tempo começou, a chuva deu uma diminuída e até cogitei em migrar para a minha torcida, mas eu estava no melhor lugar de visualização do estádio e mudar seria uma grande burrice, pois corria o risco de uma nova tempestade, porém se ficar, eu corria o risco de morrer com uma avalanche de amendoim na cabeça, caso a Lusa fizesse mais um gol.

A Lusa não fez mais um gol, o sol apareceu e o Palmeiras empatou. Quando a torcida do Palmeiras gritava desesperadamente pelos ataques perdidos eu respirava aliviada e quando eles aplaudiam o Marcos e a zaga, eu lamentava a falta de gol da equipe rubro-verde.

O jogo acabou e acho que meus vizinhos nem notaram que tinha uma “estranha” entre eles. Eu entrei muda e tentei me manter calada durante toda a partida, saí de lá com a sensação que o inferno é verde e que sou medrosa demais! Mas já estou pronta para os próximos clássicos...

6 comentários:

Igor sausmikat disse...

não foi gol de Luis carlos não?confesso que fiquei confuso,pois um cara da rádio globo disse que foi ele que fez o gol ao invés do dinei,se não for,maldito cara da rádio globo hehehehe
mas se vc michelle passou sofrimento estando em torcida adversária,o que me diz de um blogueiro como eu que torce pro fogão encara uma chuva daquela e me fantasiar e cantar os coros do palmeiras hein?acha que é fácil?totalmente difícil!haha
mas o post ficou sensacional!
quem foi encarar a chuva ontem,foi guerreiro!
beijos michelle!
meu blog: http://igoresportes.blogspot.com/

Michelle disse...

Foi o L.Carlos o Dinei nem joga na Lusa e acho que não vai fazer falta, pelo menos eu espero! rs

Renato Pereira disse...

Muito bom o texto! Só faltou você ter gritado gol no meios dos porcos!

Carlos Alberto Romão disse...

Você fez a melhor escolha em relação ao setor,arquibancada coberta,primeiro que a torcida visitante fica num péssimo lugar e segundo que você conseguiu se abrigar da chuva.
A Lusa teve totais condições de matar o jogo em diversas oportunidades,mas não conseguiu,e a bola acabou punindo a rubro-verde.
Agora é atropelar a macaca campineira e depois fazer um carnaval no time da marginal sem número.

Michelle disse...

Renato,
Gritaria, se a Lusa tivesse feito o segundo gol!

belmiro augusto disse...

Grande Michelle, a melhor maneira de analisar o jogo do time do seu coração com mais razão do que emoção é ficar no meio da torcida rival...
No chiqueirão não tem como ver o jogo no canto dos visitantes, não existe visão para o gramado adequada. Eu fiquei atrás do gol nas arquibancadas, vendo e torcendo pelo sucesso LUSO, descamisado e molhado...