domingo, 15 de dezembro de 2013

À imprensa e ao Brasil

Este é o release que entregamos para os jornalistas que compareceram na Manifestação Não ao Tapetão 

(Por Flavio Gomes)

Futebol é importante. Se não fosse, não estaríamos aqui. Nem vocês.

O Brasil sedia uma Copa do Mundo no ano que vem. O Atlético Mineiro, na próxima semana, estará provavelmente lutando pelo título mundial de clubes.

E o assunto da semana é a Portuguesa.

Por que isso? Por que tanta atenção, tantas horas (sim, horas) em programas de TV e rádio, centenas de matérias na mídia impressa e eletrônica dedicadas a um clube que para as novas gerações faz parte daqulio que se convencionou chamar de grupo dos “pequenos” brasileiros?

Porque, na verdade, trata-se de lutar pelo futebol. Que é jogado no campo, sempre foi, embora nem sempre seja decidido nele.

A Portuguesa tem sido tratada como pequena. Não é, nunca foi. Passou a ser quando o futebol deixou de ser um esporte cujos resultados eram determinados pela capacidade e competência de cada clube de formar seus jogadores e montar seus times. Hoje, o que determina esses resultados é a capacidade que cada clube tem de gerar receita. E essa receita é externa. Vem de direitos de TV e de patrocinadores, basicamente. Quem decide qual clube vai ganhar quanto decide, também, quem ganha e quem perde. É uma lógica matemática. Um clube que recebe da TV 100 milhões de reais vai sempre ganhar de outro que recebe 10.

Ou quase sempre. Porque o futebol é encantador justamente por isso. É o único esporte em que os mais fracos, às vezes, graças a seu empenho e luta, conseguem se sobrepor aos mais fortes.

A Portuguesa recebe menos do que todos os outros times da Série A. Sua receita de TV equivale a 1/10, por exemplo, do que recebem Flamengo e Corinthians. Ou menos. Seus jogos não são transmitidos em canal aberto. Assim, seus contratos de patrocínio têm de ser negociados por quantias quase ridículas, diante de valores quase obscenos obtidos por times que estão na TV uma ou duas vezes por semana, religiosamente. Sua torcida é pequena. A receita obtida com a venda de ingressos é irrisória. Seus jogadores não aparecem em programas esportivos e os jornais não acompanham o dia-a-dia do clube. Fotos na mídia impressa, só quando enfrenta um desses que são chamados de “grandes”. Seu estádio é modesto, sem cadeiras estofadas, camarotes VIP, setores patrocinados, acessos exclusivos, telões de alta definição.

Mesmo assim, entre os 20 clubes que disputam o maior campeonato do autoproclamado país do futebol, terminou a competição na 12ª colocação. Isso tendo disputado as dez primeiras rodadas sem técnico, tendo enfrentado brutais dificuldades financeiras, sendo comandada por um grupo de dirigentes amadores e incompetentes, responsáveis por uma gestão desastrosa que culminou com a possibilidade de greve de seus atletas às vésperas da última rodada. E sem ter tido um único resultado que possa ser atribuído a algum erro de arbitragem a seu favor — o contrário aconteceu com alguma frequência, mas sempre haverá quem pense que essas queixas são coisa de torcedor, de maus perdedores, por isso deixemo-las de lado.

A Portuguesa conseguiu se colocar na 12ª posição neste ano um ponto atrás do poderoso Flamengo, campeão da Copa do Brasil, e a dois do Corinthians, campeão mundial. Um milagre? Quase. Mas, sobretudo, resultado do esforço, dedicação e profissionalismo de seus jogadores e de sua comissão técnica. E também graças à paixão de sua pequena, mas aguerrida torcida.

Há quem, neste momento, ostenta um enorme prazer em brandir regulamentos e códigos, numa sanha legalista que não se vê quando a possível vítima faz parte da tal elite do futebol brasileiro. O próprio procurador do STJD, três anos atrás, diante de uma possibilidade de punição ao Fluminense, que poderia perder seu título brasileiro, falou em “moralidade”, “caos” e “prevalência do resultado no campo” para descartar qualquer mudança no resultado daquele campeonato. Ótimo. Prevaleceu, de fato, o resultado do campo.

Este mesmo procurador, hoje, converte-se no arauto do tecnicismo. Ignora que uma eventual punição à Portuguesa tem o mesmo peso que tirar o título de 2010 do Fluminense, tamanha a desproporcionalidade da pena prevista. Um atleta reserva, que atuou por 13 minutos num jogo que nada valia, pode empurrar um clube rumo à Série B e à sua quase morte financeira? Podem ter um peso maior, esses 13 minutos, do que as 37 partidas anteriores em que seus colegas, e ele próprio, suaram sangue para conseguir manter um clube como a Portuguesa na primeira divisão?

Só isso seria o suficiente para que a punição fosse dimensionada. Como foi, aliás, com o Cruzeiro no mesmo campeonato. O goleiro reserva estava em situação irregular, sem contrato, e constou da súmula. O clube foi multado. Faria sentido algo além disso? Claro que não. Quando o Direito confronta a Justiça, pregam os juristas, que prevaleça a Justiça. É para isso que os tribunais servem, é para isso que há juízes.

Mas não é só a sensação de injustiça que permeia este caso. Os artigos do CBDJ que regem as decisões do STJD são razoavelmente claros quanto a prazos, à necessidade de publicação dos resultado dos julgamentos, ao direito de defesa que todos têm. Heverton foi julgado numa sexta-feira à noite. A Portuguesa, sem recursos financeiros, fez uso de um advogado terceirizado. Obviamente houve um ruído de comunicação entre ele e o clube. Ou, talvez, nenhuma comunicação. Mas como aceitar que um tribunal estabeleça penas sem ter uma mecanismo de comunicação aos apenados além da frágil presença de um advogado? Ele poderia ter sido assaltado na porta do tribunal, perdido seu celular, ou ter sido atropelado. E a Portuguesa só saberia da suspensão de seu jogador NA SEGUNDA-FEIRA ÀS 18h45, quando a punição foi publicada no site da CBF. Faz algum sentido isso?

Claro que não faz. Faz tão pouco sentido que ninguém compreende como os clubes aceitam que procedimentos tão medievais possam trazer consequências tão graves aos seus resultados obtidos em campo. O milionário negócio do futebol brasileiro, seus patrocinadores globalizados, suas arenas, suas transmissões em HD, seu pay-per-view, seus jogadores e treinadores que recebem salários estratosféricos, convivem com um tribunal incapaz de escanear um documento e colocá-lo em seu site depois de um julgamento, incapaz de disparar um e-mail ao condenado depois do crepúsculo.

Rebaixar a Portuguesa é não só atentar contra a essência do futebol, como também ser conivente com essa bizarrice dos julgamentos, critérios e redações de regulamentos do STJD. Mas, acima de tudo, é uma injustiça esportiva, um crime contra atletas, técnico, preparadores, roupeiros, massagistas e torcedores de um clube que não tem aliados ou defensores além dos limites de seu estádio. Um clube que luta sozinho para se manter entre os maiores do futebol brasileiro com as únicas armas que tem: dignidade e esforço.

Rebaixar a Portuguesa, em resumo, é acabar com o futebol.

4 comentários:

Marcos Mendes disse...

Amo esse clube, e havia comentado que a história da Portuguesa este ano tinha sido linda. Começou o ano na A2, ficou mts jogos sem um técnico de fato, sem dinheiro e msm assim acabou em 12 lugar(que convenhamos nao fossem os roubos contra nossa equipe teria sido de 8 pra cima). Entretanto esse história de julgamento me enojou de uma maneira que eu nunca tinha sentido isso no futebol. Acredito que juridicamente a Portuguesa está certa e nao deva perder os pontos. Pelo bom senso que deveria ser usado no tribunal tb vejo a Portuguesa com inocente. No entanto esses "juizes" e "procuradores" a indole desses caras que me preocupam demais. Parece que teremos um julgamento bem parcial (isso sem contar o pré julgamento absurdo já feito). É torcer para que justiça seja feita e que a Portuguesa fique no lugar que batalhou para ficar. Justiça seja feita e vamos até o fim.

Celso Montal disse...

Texto fantástico... Demonstra exatamente o sentimento de um verdadeiro lusitano. Nossa torcida é pequena porém valente. Aliás, pequena porque milhares de lusitanos ainda não se pronunciaram por estarem descontentes com o futebol brasileiro, e hoje, não os recrimino mais. Nossa escola de craques continuará lutando sempre e um dia alcançaremos nossas maiores conquistas. Um dia um descendente português sem honra disse: "o time da Portuguesa deveria ser extinto! Não serve pra nada!" - Pois eu digo, SERVE PARA UNIR CENTENAS DE APAIXONADOS PELO VERDADEIRO FUTEBOL QUE ESSE PAÍS MERECE! AVANTE LUSAAAAA !

Celso Montal disse...

Texto fantástico... Demonstra exatamente o sentimento de um verdadeiro lusitano. Nossa torcida é pequena porém valente. Aliás, pequena porque milhares de lusitanos ainda não se pronunciaram por estarem descontentes com o futebol brasileiro, e hoje, não os recrimino mais. Nossa escola de craques continuará lutando sempre e um dia alcançaremos nossas maiores conquistas. Um dia um descendente português sem honra disse: "o time da Portuguesa deveria ser extinto! Não serve pra nada!" - Pois eu digo, SERVE PARA UNIR CENTENAS DE APAIXONADOS PELO VERDADEIRO FUTEBOL QUE ESSE PAÍS MERECE! AVANTE LUSAAAAA !

Mauro disse...

Nós, torcedores do verdadeiro futebol temos apenas uma coisa a fazer: BOICOTE! Vamos boicotar tudo relacionado ao Fluminense, à CBF e à Copa! Chega de sermos trouxas!
Eu já cancelei meu PFC e minha SKY com pacote de futebol, amanhã é a vez do meu plano da UNIMED, da VIVO e da conta no ITAÚ, vamos boicotar os produtos da Sadia, Guaraná Antarctica e tantos outros patrocinadores que enchem os bolsos dessa corja e vamos fazer eles sentirem quem tem o verdadeiro poder nas mãos e quem deve ser respeitado! Essa gente só entende a linguagem do dinheiro, então vamos atingi-los aonde dói! Vamos à Justiça com o Estatuto do Torcedor nas mãos! CHEGA DE SER FEITO DE PALHAÇO!!!